Spartacus faz despedida em beleza

Apesar das quedas nos últimos dois anos, de parecer perder fulgor para a concorrência, antevíamos Fabian Cancellara como o favorito à conquista do ouro olímpico no contra-relógio, isto depois de ter trabalhado bastante em prol dos compatriotas na corrida em linha.

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Fabian Cancellara despede-se como ciclista profissional vencendo a vertente que mais o consagrou, o contra-relógio, sagrando-se novamente campeão olímpico. Foto: http://www.cyclingnews.com

O seu enorme sucesso foi questionado há 2/3 anos atrás, insinuando-se que usaria um motor na bicicleta, mas todas as observações realizadas nada detectaram e percebe-se toda a potência deste helvético em cada corrida, ultimamente no trabalho para outros, demonstrando uma enorme capacidade de sacrifício e altruísmo.

A potência demonstrada a cada evento de demonstração individual granjeou-lhe a alcunha de ‘Spartacus’, nome do mais famoso ‘escravo’ e lutador dos tempos romanos, que liderou a rebelião dos escravos contra os romanos.

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Uma das bicicletas desenhadas especialmente para Cancellara. http://www.road.cc

Numa altura em que tanto se fala do recente desenvolvimento do ciclismo em África, particularmente no ‘Corno de África’ e com uma equipa sul-africana no Pro Tour, não deixa de ser curioso notar que o primeiro campeão olímpico de contra-relógio, em Estocolmo 1912, foi um sul-africano; Rudolph Lewis, infelizmente falecido precocemente fruto das enfermidades que contraiu na I Guerra Mundial, quer no combate, quer no tempo em que esteve como prisioneiro de guerra.

Em 1920 voltou a haver um medalhado sul-africano no contra-relógio, Henry Kaltenbrunn, prata, que somou medalhas em estrada e pista nos Jogos de Antuérpia.

Entre 1928 e 1992 o contra-relógio não fez parte do programa olímpico, regressando em 1996 com dobradinha espanhola, Miguel Indurain a surpreender o especialista Abraham Olano para o ouro e o outro enorme especialista, o britânico Chris Boardman, a obter o bronze.

Em 2000 o super-equipier Ekimov consagrou-se campeão pela Rússia, adiante de Jan Ullrich. Lance Armstrong foi bronze mas a medalha foi-lhe retirada.

Ekimov defendeu o título com sucesso em Atenas, isto depois do norte-americano Tyler Hamilton ter sido desqualificado devido a doping. Bobby Julich foi prata e Michael Rogers bronze, novamente os especialistas do contra-relógio batidos.

Vencedor de três dos cinco monumentos, , Cancellara provou na carreira que era mais do que um contrarrelogista, capaz de obter sucesso em duras competições de um dia.

O seu reinado no contra-relógio do mundial iniciou-se em 2006, repetiu em 2007, não o fez em 2008 pois o foco – bem sucedido – foi olímpico, batendo em Pequim Gustav Larsson e Levi Leipheimer, voltando a sagrar-se campeão mundial em 2009 e 2010. Já havia sido bronze em 2005 e foi-o novamente em 2011 e 2013.

A queda na corrida em linha de 2012 impediu-o de ser bem-sucedido novamente, algo que havia preparado afincadamente. Foi o homem da casa, Bradley Wiggins, vencer à frente do alemão Tony Martin e do também britânico Chris Froome.

Fabian Cancellara sagra-se campeão olímpico aos 35 anos e bate a forte concorrência de Tom Dumoulin da Holanda, de Chris Froome, que repete a performance de Londres, o espanhol Castroviejo, o australiano Rohan Dennis, que terá tido um problema mecânico na ponta final a impedi-lo de chegar ao pódio, o polaco Maciej Bodnar e o português Nélson Oliveira, que consegue um belo 7.º lugar, atingindo assim o diploma olímpico. Ion Izaguirre de Espanha, o britânico Geraint Thomas e o esloveno Roglic completaram o top 10.

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Depois do 13.º lugar de Londres 2012, Nelson Oliveira faz 7.º no Rio de Janeiro. Foto: Comité Olímpico Portugal.

O retorno do contra-relógio de estrada ao universo olímpico fez-se nas duas vertentes, masculina e feminina, e a edição inaugural feminina foi para a cazaque Zulfiya Zabirova, adiante da eterna Jeannie Longo de França e da canadiana Clara Hughes.

Em 2000 foi a holandesa Leontien Van Moorsel a vencer, batendo a norte-americana Mari Holden e Jeannie Longo.

A holandesa defendeu com sucesso o título em Atenas, desta feita superiorizando-se à norte-americana Deirdre Demet-Barry e à suíça Karin Thurig.

2008 marcou o início da era Armstrong. Kristin Armstrong venceu em Pequim, repetiu a dose em Londres e no Rio de Janeiro conquistou um inédito tri. A britânica Emma Pooley foi prata em Pequim, onde Karin Thurig defendeu o bronze de 2004. Em 2012 subiram ao pódio a alemã Judith Arndt e a russa Olga Zabelinskaya, que conquistou a prata em 2016, obtendo o bronze a confiante Anna van der Breggen, com uns Jogos Olímpicos de sonho.

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